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HPV: O que é, como se transmite, vacina e o que fazer após o diagnóstico
Dra. Tamires Vicenzi Receber um resultado positivo para HPV pode gerar muito medo e confusão. Por isso, preciso dizer isso com clareza logo de início: HPV não é sinônimo de câncer. E esse dado precisa ser repetido mais vezes, porque o estigma em torno desse vírus causa sofrimento desnecessário em muitas mulheres.
O que é o HPV?
O HPV (Human Papillomavirus, ou Papilomavírus Humano) é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Existem mais de 200 tipos do vírus, e eles se comportam de formas muito diferentes entre si.
A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o HPV em algum momento da vida — independentemente de quantos parceiros tiveram ou do tipo de relação que mantêm.
Tipos de HPV: de baixo e alto risco
HPV de baixo risco oncogênico (como os tipos 6 e 11):
- Causam verrugas genitais (condilomas acuminados) — lesões visíveis, mas que não se transformam em câncer
HPV de alto risco oncogênico (como os tipos 16 e 18):
- Geralmente não causam lesões visíveis
- Em uma minoria dos casos, podem persistir e, ao longo de anos, causar alterações celulares que evoluem para câncer — principalmente de colo do útero, mas também de vulva, vagina, ânus, pênis, orofaringe
O ponto fundamental: a infecção por HPV de alto risco NÃO significa que você vai desenvolver câncer. Na grande maioria dos casos, o sistema imunológico elimina o vírus sozinho, em 1 a 2 anos, sem nenhum tratamento.
Como o HPV se transmite?
O HPV é transmitido por contato pele a pele na região genital — não apenas pela penetração. Isso inclui:
- Relação sexual vaginal, anal ou oral
- Contato genital sem penetração
O preservativo reduz o risco de transmissão, mas não elimina completamente, pois não cobre toda a área genital.
Por que o Papanicolau detecta alterações do HPV?
O exame preventivo (Papanicolau) coleta células do colo do útero e analisa se há alterações causadas pelo HPV ou outros fatores. Quando o resultado indica “alterações sugestivas de HPV” ou “NIC” (neoplasia intraepitelial cervical), isso significa que existem células alteradas — mas não que há câncer.
Dependendo do grau da alteração, a conduta pode ser:
- Acompanhamento com novos exames em intervalos definidos (a maioria regride espontaneamente)
- Colposcopia (exame mais detalhado do colo do útero com lente de aumento)
- Biópsia ou procedimento para retirar as células alteradas (como o CAF/LEEP), em casos de lesões mais avançadas
Vacina contra o HPV: quando e para quem?
A vacina é uma das ferramentas mais poderosas de prevenção. No Brasil, está disponível no SUS para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos (2 doses)
- Pessoas imunossuprimidas e vítimas de violência sexual até 45 anos (3 doses)
Na rede privada, pode ser indicada em idades maiores — com avaliação médica. Mesmo quem já teve HPV pode se vacinar, pois a vacina protege contra outros tipos que a pessoa talvez ainda não tenha tido contato.
Importante: a vacina previne, mas não trata uma infecção já existente. E não substitui o Papanicolau — as mulheres vacinadas continuam precisando fazer o preventivo regularmente.
O que fazer após um diagnóstico de HPV?
- Não entre em pânico — a maioria dos casos se resolve sem tratamento
- Mantenha o acompanhamento ginecológico — a detecção precoce de alterações é o que realmente protege contra o câncer
- Não se culpe — o HPV não reflete comportamento sexual irresponsável. É uma infecção extremamente comum
- Comunique parceiros — dependendo do tipo e do contexto, pode ser importante informar parceiros para que também façam acompanhamento
- Reforce o sistema imunológico — sono adequado, alimentação equilibrada, não fumar (o tabagismo prejudica a capacidade do organismo de eliminar o vírus)
HPV tem cura?
O vírus em si não tem tratamento específico — o que tratamos são as lesões que ele pode causar (verrugas ou células alteradas). O sistema imunológico é responsável por eliminar o vírus. Na maioria das pessoas, isso acontece naturalmente em até 2 anos.
Em casos de lesões visíveis (condilomas), existem tratamentos locais como cremes, ácido tricloroacético ou procedimentos como eletrocauterização e laser.
Prevenção do HPV
- Vacina — a mais eficaz, especialmente antes do primeiro contato com o vírus
- Preservativo — reduz (mas não elimina) o risco de transmissão
- Papanicolau regular — detecta alterações precocemente, antes de qualquer progressão
- Não fumar — o tabagismo enfraquece a resposta imune local no colo do útero
O HPV é uma realidade da vida sexual da maioria das pessoas. Conhecer o vírus, manter o acompanhamento ginecológico e se vacinar são as melhores ferramentas que você tem.
Em Concórdia - SC, realizou a coleta do Papanicolau e faço o acompanhamento completo de alterações cervicais, da colposcopia ao tratamento, sempre de forma acolhedora e com explicações claras em cada etapa.
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Dra. Tamires Vicenzi
CRM/SC 26796 · RQE 21934 — Ginecologista e Obstetra
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia com título TEGO pela Febrasgo. Atende em Concórdia - SC com foco em cuidado humanizado e atualização técnica contínua.