Artigo
Ressecamento Vaginal e Dor na Relação Sexual: Causas e Tratamentos
Dra. Tamires Vicenzi “Sinto dor na relação — mas fui ensinada a aguentar.”
Essa frase resume um problema que afeta milhões de mulheres e que permanece sub-relatado por uma combinação de vergonha, normalização e desinformação. A realidade é clara: dor durante a relação sexual não é normal. E na maioria dos casos, tem tratamento.
O que é dispareunia?
Dispareunia é o termo médico para dor persistente durante ou após a relação sexual. Ela pode se manifestar como:
- Ardência, queimação ou dor à penetração
- Dor profunda (sentida no interior da pelve, que pode indicar causas estruturais como endometriose)
- Dor após a relação, que persiste por horas
A dispareunia não é “frescura” nem “falta de excitação”. É um sintoma que merece investigação.
Ressecamento vaginal: o que causa?
A lubrificação vaginal acontece porque, na excitação, a parede da vagina produz fluido transsudativo — um processo dependente de estrogênio e de boa circulação local.
Quando há ressecamento, isso significa que esse mecanismo está comprometido. As causas mais comuns são:
Queda de estrogênio
O estrogênio mantém a mucosa vaginal úmida, elástica e espessa. Quando ele cai:
Na menopausa e perimenopausa: a queda progressiva de estrogênio leva à síndrome geniturinária da menopausa — um conjunto que inclui ressecamento, adelgaçamento da mucosa vaginal (atrofia), encurtamento do canal vaginal, aumento do pH vaginal e maior suscetibilidade a infecções. Afeta mais de 50% das mulheres pós-menopausa e tende a piorar com o tempo se não tratada.
No pós-parto e durante a amamentação: a prolactina (que estimula a produção de leite) suprime o estrogênio. Muitas mulheres experienciam ressecamento vaginal significativo durante a amamentação — e isso é completamente normal, mas também totalmente tratável.
Com anticoncepcionais hormonais: algumas pílulas e o implante subdérmico podem reduzir a testosterona livre e o estrogênio local, causando ressecamento em mulheres mais sensíveis a essas formulações.
Fatores psicológicos
Ansiedade, medo, trauma, falta de excitação suficiente — tudo isso pode comprometer a lubrificação. A mente e o corpo não são entidades separadas.
Síndrome de Sjögren e doenças autoimunes
Condições que afetam as glândulas secretoras podem reduzir a lubrificação vaginal, assim como causam boca e olhos secos.
Medicamentos
Antidepressivos, anti-histamínicos, alguns anti-hipertensivos e quimioterapia podem causar ressecamento vaginal como efeito colateral.
Vulvodínia e vaginismo
A vulvodínia é uma condição de dor crônica na vulva sem causa identificável — a dor pode ser espontânea ou desencadeada pelo toque. O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico que impede ou dificulta a penetração. Ambas precisam de abordagem específica.
O que a dor faz com o desejo
Quando o sexo dói, o corpo aprende que sexo é sinônimo de dor. Com o tempo, o desejo diminui — não por falta de interesse no parceiro ou na sexualidade, mas como mecanismo de proteção.
Esse ciclo pode se instalar de forma progressiva: um episódio de dor → tensão antecipada → mais ressecamento → mais dor → menos desejo. E às vezes ele começa tão devagar que a mulher nem percebe que está acontecendo.
Esse ciclo tem solução. Mas só com diagnóstico e tratamento adequados.
Tratamento do ressecamento vaginal
O tratamento depende da causa — por isso o diagnóstico é o passo inicial. As principais opções incluem:
Lubrificantes
Para uso durante a relação sexual:
- Base de água: compatíveis com preservativos e brinquedos de silicone — a opção mais versátil
- Base de silicone: mais duradouros, resistentes à água — não compatíveis com brinquedos de silicone
- Base de óleo natural (como óleo de coco): não compatíveis com preservativos de látex; podem desequilibrar o pH vaginal
Hidratantes vaginais
Diferentes dos lubrificantes — são usados regularmente (2 a 3 vezes por semana), não apenas durante a relação. Restauram a hidratação da mucosa vaginal ao longo do tempo.
Estrogênio local (vaginal)
Creme, gel, óvulo ou anel vaginal com estrogênio em dose baixa agem diretamente na mucosa vaginal, restaurando a espessura, a lubrificação e o pH. A absorção sistêmica é mínima — o que os torna seguros para a maioria das mulheres, inclusive aquelas com histórico de câncer de mama (com avaliação individualizada do oncologista e ginecologista).
Terapia de Reposição Hormonal sistêmica
Para mulheres na menopausa com sintomas que vão além do ressecamento vaginal (fogachos, insônia, alterações de humor), a TRH sistêmica trata todos os sintomas de uma vez.
Fisioterapia pélvica
Para vaginismo, hipertonia do assoalho pélvico e vulvodínia, a fisioterapia pélvica é fundamental — treina os músculos a relaxar, trabalha a dessensibilização progressiva e aborda os padrões musculares que mantêm a dor.
Psicoterapia
Quando há componente emocional, trauma ou ansiedade sexual associados, a psicoterapia (especialmente a cognitivo-comportamental e a terapia sexual) é parte essencial do tratamento.
Prazer sem dor é um direito
Sentir dor na relação não é “frescura”, não é “coisa da sua cabeça” e não é algo que você deva simplesmente aceitar. Desde a primeira relação dolorosa até a menopausa — em qualquer fase, a dor sexual merece atenção.
Você não precisa escolher entre ter vida sexual e ter qualidade de vida.
Em Concórdia - SC, abordo a saúde sexual feminina de forma integral, com avaliação clínica, investigação hormonal e encaminhamento para fisioterapia pélvica quando necessário — porque seu bem-estar conta em todas as dimensões.
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Dra. Tamires Vicenzi
CRM/SC 26796 · RQE 21934 — Ginecologista e Obstetra
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia com título TEGO pela Febrasgo. Atende em Concórdia - SC com foco em cuidado humanizado e atualização técnica contínua.