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Terapia de Reposição Hormonal (TRH): O que é, benefícios, riscos e quem pode usar
Dra. Tamires Vicenzi A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é um dos temas mais discutidos — e também mais rodeados de mitos — na ginecologia. Para muitas mulheres, ela representa alívio significativo dos sintomas do climatério e da menopausa. Para outras, pode não ser a opção mais adequada. Neste artigo, explico de forma clara e baseada em evidências tudo o que você precisa saber sobre a TRH.
O que é a Terapia de Reposição Hormonal?
A TRH consiste na administração de hormônios — principalmente estrogênio e, em muitos casos, progesterona — para compensar a queda hormonal natural que ocorre durante o climatério (a transição para a menopausa) e após a menopausa.
A menopausa é definida como a ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, geralmente ocorrendo entre os 45 e 55 anos. Nesse período, os ovários reduzem progressivamente a produção de estrogênio e progesterona, o que pode causar uma série de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.
Quais são os sintomas que a TRH pode tratar?
A queda hormonal pode provocar sintomas variados:
Sintomas vasomotores:
- Ondas de calor (fogachos) — afetam até 75% das mulheres
- Suores noturnos
- Palpitações
Sintomas genitourinários:
- Ressecamento vaginal e desconforto nas relações sexuais
- Urgência urinária e infecções urinárias recorrentes
Sintomas neurológicos e emocionais:
- Insônia e distúrbios do sono
- Irritabilidade, ansiedade e alterações de humor
- Dificuldade de concentração e memória (“névoa mental”)
Alterações físicas de longo prazo:
- Perda de densidade óssea (osteoporose)
- Alterações na composição corporal
- Ressecamento da pele
A TRH é altamente eficaz para os sintomas vasomotores e genitourinários, e também contribui para a prevenção da osteoporose.
Quais são os tipos de TRH?
A TRH pode ser prescrita de diferentes formas, adaptadas a cada mulher:
Por via de administração
- Oral: comprimidos de uso diário — forma mais tradicional
- Transdérmica: adesivos, géis ou spray aplicados na pele — evitam a primeira passagem hepática, sendo preferidas em mulheres com risco de trombose
- Vaginal: cremes, óvulos ou anel vaginal — ação local, indicada principalmente para sintomas genitourinários isolados, com mínima absorção sistêmica
Por composição hormonal
- Estrogênio isolado: indicado para mulheres sem útero (após histerectomia)
- Estrogênio + Progesterona (ou progestágeno): indicado para mulheres com útero — a progesterona protege o endométrio dos efeitos do estrogênio
- Tibolona: hormônio sintético com ação estrogênica, progestogênica e androgênica leve — alternativa para algumas mulheres
Hormônios bioidênticos
Nos últimos anos, os hormônios bioidênticos — que possuem estrutura molecular idêntica aos hormônios produzidos pelo organismo — ganharam popularidade. Preparações bioidênticas padronizadas (como o estradiol transdérmico e a progesterona micronizada) são hoje as formas preferidas na prática clínica por terem melhor perfil de segurança em comparação aos progestágenos sintéticos mais antigos.
Quem pode fazer TRH?
A TRH é indicada para mulheres que apresentam sintomas climatéricos que impactam a qualidade de vida e não apresentam contraindicações. As candidatas ideais são mulheres entre 50 e 60 anos, ou nos primeiros 10 anos após a menopausa — o chamado “janela de oportunidade” terapêutica.
Situações em que a TRH pode ser especialmente benéfica:
- Sintomas vasomotores moderados a intensos
- Sintomas genitourinários (ressecamento, dispareunia)
- Osteoporose ou alto risco de fraturas
- Menopausa precoce (antes dos 40 anos) — nesse caso, a TRH é fortemente recomendada até pelo menos a idade média da menopausa natural
Quem não deve usar TRH?
Existem contraindicações absolutas para a TRH com estrogênio sistêmico:
- Câncer de mama ativo ou histórico recente de câncer de mama hormônio-dependente
- Câncer de endométrio
- Tromboembolismo venoso ativo (trombose, embolia pulmonar)
- Doença cardiovascular ativa ou histórico de AVC
- Doença hepática grave
- Sangramento vaginal sem diagnóstico
- Suspeita de gravidez
Para mulheres com essas condições, existem alternativas não hormonais para o manejo dos sintomas — que podem ser discutidas em consulta.
A TRH aumenta o risco de câncer de mama?
Esta é a preocupação mais frequente das pacientes — e merece uma resposta nuançada.
O risco depende do tipo de TRH, do tempo de uso e das características individuais de cada mulher:
- Estrogênio isolado (em mulheres sem útero): estudos mostram que não aumenta o risco de câncer de mama em uso por até 7 anos, e pode até ter efeito neutro ou protetor.
- Estrogênio + progestágeno sintético (como a medroxiprogesterona): pode associar-se a um pequeno aumento de risco após 5 anos de uso contínuo.
- Estrogênio + progesterona micronizada (bioidêntica): evidências sugerem perfil de risco mais favorável do que com progestágenos sintéticos.
Para contextualizar: o aumento de risco associado à TRH combinada é comparável ao risco associado ao consumo de 1 a 2 doses de álcool por dia ou ao sedentarismo — fatores que raramente geram tanto debate. A decisão deve considerar o impacto real dos sintomas na qualidade de vida e o risco individual de cada paciente.
A TRH aumenta o risco de trombose?
A TRH oral pode aumentar levemente o risco de tromboembolismo venoso. A TRH transdérmica (gel ou adesivo) tem risco significativamente menor, pois o hormônio não passa pelo fígado antes de atingir a corrente sanguínea — sendo a via preferida em mulheres com fatores de risco para trombose.
Por quanto tempo posso fazer TRH?
Não existe um limite fixo de tempo para a TRH. A recomendação atual das principais sociedades médicas (incluindo a SOBRAC — Sociedade Brasileira de Climatério) é que a TRH deve ser usada pelo tempo necessário para controlar os sintomas, com reavaliação periódica de risco/benefício. Para mulheres com menopausa precoce, o uso até a idade média da menopausa natural (51 anos) é praticamente consenso.
A decisão de manter ou suspender a TRH deve ser individualizada e revisada anualmente com sua ginecologista.
Alternativas não hormonais
Para mulheres que não podem ou não desejam fazer TRH, existem alternativas:
- Para fogachos: paroxetina, venlafaxina, gabapentina (uso off-label com evidência), fesolorodina
- Para sintomas genitourinários: lubrificantes e hidratantes vaginais, estrogênio vaginal de baixa dose (que tem absorção sistêmica mínima e é seguro na maioria das mulheres, inclusive com histórico de câncer de mama — a depender do caso)
- Estilo de vida: exercício físico regular, redução de álcool e cafeína, técnicas de relaxamento
Quando consultar uma ginecologista sobre a TRH?
Se você está no climatério ou já passou pela menopausa e seus sintomas estão afetando sua qualidade de vida — sono, sexualidade, humor, trabalho —, agende uma consulta. A TRH não é adequada para todas as mulheres, mas quando bem indicada, pode representar uma mudança significativa no bem-estar.
A avaliação inclui histórico de saúde completo, exame físico, exames laboratoriais e de imagem quando necessário (mamografia, densitometria óssea), e uma conversa honesta sobre seus objetivos e preocupações.
Em Concórdia - SC, atendo mulheres no climatério com foco em cuidado individualizado, baseado nas evidências mais atuais e com atenção às necessidades de cada paciente.
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Dra. Tamires Vicenzi
CRM/SC 26796 · RQE 21934 — Ginecologista e Obstetra
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia com título TEGO pela Febrasgo. Atende em Concórdia - SC com foco em cuidado humanizado e atualização técnica contínua.